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quarta-feira, 23 de outubro de 2013

O leviano

O leviano é de lata e leve
e levou longe o love.
Ele vem de blablablá e cinismo
à moda helênica, lima a práxis
e ele é liso e lesa a lógica
E ele é light e late, late tarde...
E longe ermita da latitude argumentativa
razoável e finalmente morta em ideal,
neste sentido
o leviano ainda beberá leite real.
Lava-me a alma em ironia,
o leviano é um deleite!

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Pequenas Saudades

Seu corpo pequeno e suave faz formas que desejo...
Que saudade de outro beijo,
Que saudade de outro beijo.

E me envelheço toda vez que repito
Estes absurdos...
E repito as mesmas saudades da vida que escorre.

Sem saber de outras vidas
Nesta mesmo que agora vivo
Envelhecendo minhas pequenas saudades.

Repito o ser humano mais comum
que se pode nascer e viver.

Este que sempre passou pelos mesmos dramas na vida.
Este intervalo que só começa a fazer sentido
Quando na maioria das vezes já é tarde demais.

Que saudades de outro beijo,
que saudades do primeiro sexo.
Que saudades de procurar,
Sem saber o que já há...


sexta-feira, 7 de junho de 2013

Qualidades Materiais da Humanidade

Você bem sabe a tempos
Que poesia demais
Não pode ser funcional
Poesia é crise, caraminholas
São palavras pulando e faltando;
Onde a linguagem
É plena figura.

Poesia demais é agrura
É gente dizendo o que não pode
De um jeito que é cifrado
Ou esquisito e impopular;
Cuja função é afastar silente
Quem não tá ali pra religar
Às sinapses da compaixão.

Não pode ter mais poesia,
Não pode ser menos prodígio
O mal escravo tal o profissional liberal
A dedicação com excelência opaca,
A brilhante divindade e abnegação,
Só a paixão nos faz transparentes,
Só a poesia contempla-me, translúcido sujeito em crise.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Ginolatria Cardioclasta

O problema não é com as mulheres,
Problema é com a paixão.
As mulheres só acontecem de me apaixonarem,
mas é a paixão quem me viola.
Quem me expõe, pássaro canoro
cativo, fugido e liberto da gaiola...

Às mulheres só meu canto, meu sujeito,
É fera então que me devora.
As mulheres são imagens que projeto
das coisas que faltam em mim, ou não quis,
e preciso por desejo assim lacaniano.
A paixão é quem é real e objeta,
Quem faz o tempo, o verbo, a ginolatria cardioclasta.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Sweetheart

Eu vi você velha no sonho
E eu te roubava um beijo
Como qualquer ladrão,
Como fora meu, sweetheart
Mas já banguela, grisalha,
doce, diabética exalava
tanto açúcar refinado,
Você velha no sonho, que envelhece também.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Adaptação

Você gosta de brincar de polícia,
Eu só brinco de revolução.
Você gosta de julgar e reprimir,
Eu brinco de política aberta.
Você invoca leis e regras sagradas,
que vivem dando mancada...
Eu me divirto com os símbolos
que não lhe pertencem
e a poesia que lhe deixa tonto
Porque você nunca vai entender
BULHUFAS do que é belo em conviver
e de como o ser humano vai melhor
apontando menos dedos,
Com menos medos de mudar
pois essa é a vida, adaptação.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Cântico Atlântico a Pindorama

Te amo, minha majestade,
Minha rainha, imperatriz, mon chou,
Gloriana, graciliana e mais cheia de graças...

Cigana e princesa, banhista mais bela
À sombra donde canta o sabiá,
Bresiliana vens úmida, vens quente,
Verde floresta, vermelha semente,

Nem África, Ibéria, ou norte América,
Em teu seio, mulher gentil, ó liberdade,
Uma brasa, um braseiro, um brasil...

Com teu resplendor, delícia,
Assim tu me matas, axé sertaneja,
Com teu olhar de ressaca,
Que vem e que praça (!), agreste e criola
Abrindo alas, fazendo ebó e ola.

Redime teus gringos em mingau sublime
E que hajam energias para a tua folia!
Com tanto açúcar, cacau, café, guaraná:
Mulher que és, mulher, 
Até na orgia, só faz o que quer.

Te trouxe filhos, me faz teu oceano.
Deságua e me dá tua orla que te beijo na vaga, na espuma e areia, 
Nas nossas praias e mangues, abrasamos o canto.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Litoral

Se onda não é relevante,
ninguém segue.
Se o coco não é refrescante,
ninguém bebe.

É que todo ano elas tem dezoito
e querem coito...
e que ainda penso no amor, no mar
como aquele com quem hoje me estranho:
ancioso, levando fora de oito...

O que me era ruim bebi com rum
E não, não jogo buraco
na casa de praia.
Nem quando chove, que saco!

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Planos e ângulos

MInguam
e o sentido escapa
de uma existência
que não se justifica
além de si
e as coisas prontas, disponíveis,
não cabem no meu número, ou encaixam
espiritualmente
a matéria não bastA MAIS
O QUE EU FAÇO
com tanta vida
que escorre na existência
insignificada em derrrrrame agudo
que escorrrrre na existência que expõem
a natureza duma responsabilidade
grossa que se parte grave
procurando algo que nunca será
nada além de, reticências partidas...

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Guerra

O que é uma guerra?
Simples e infantil te pergunto:
Por quê? Qual é o sentido?
O que vai te resolver sair tretando na vida?
De verdade... tá rolando,
parece que se aproxima como uma besta apocalíptica
daqueles mitos que precisam ser resgatados
pois as imagens estão muito distantes dos círculos
e sem referência cotidiana.
Precisa pensar no passado pra entender...
É coisa de filme dentro das sociedades...
pessoas brincando de bang-bang ao vivo,
correndo de carro e moto, na roleta russa...
e eu assistindo na minha própria preocupação cotidiana,
besta e metropolitana...
fazendo da vida exatamente o que hollywood
mostrou por décadas, por razões dramáticas.
Ou sou só eu preocupado com o noticiário, viajando na deles?
Tá do jeito que sempre foi, se olhar pro passado...

terça-feira, 19 de julho de 2011

Ontologia do Cachorro

Não é bem poesia canina
é mesmo uma estatística em clausura
Desconfiada demais
de como um cachorro sarnento
apanha suas coisas humanas...
suas pulgas e peçanhas
no mato da vida sem luz.
Suas partes e portas fechadas
e perspectivas rasteiras, chapadas
contra concebendo em cruzadas
o pavor das noites claras que caem
o giro das viaturas
a recolher nós vagabundos
e impedir-nos as matilhas
de traumatizados, terão mais sabão:
"cachorro lobo é melhor morto"
Tão humano com vontade, medo e latidos
para com aquele frango girando na padoca
de cadela banca a louca
e baba espuma branca pela boca
seca deste agosto.

domingo, 12 de junho de 2011

Soy Hedonista

Direitos divinos devem ao orgasmo,
Deveres humanos devem pleonasmo.
Ser não esta tal comparação,
Direitos humanos aos humanos
e só amor ao teu pet a filiação.

Humanos tão direitinhos, caminhos
com trilhinhos de bitolinhas
e ladrilhinhos tão estreitinhos...
Com medinho de amar ou de ter feridinhazinha de amor no coração...
Tudo perfeito e infantilizado
como uma realidade generalizada:
sem sal, à vacuo, ponta de gôndola.

Mesmo se quiseres sonhar acordado,
só te darão uma opção real de redenção:
insônia e aquela súmula ao pé sono.
Se orar e agir em Deus intencionado,
sem um sorriso cínico e áfono
no canto do beiço, será bem bobo e irresponsável.

Yo no creo en Dios. Soy hedonista.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Dream On

O que foi aquilo?
O que fomos nós
aquele dia?

O mais mágico final,
o mais mítico começo?

Teu abraço, tuas covinhas,
teus olhos nos meus olhos
tão cúmplices e companheiros,
teus cabelos, teus cheiros.

Dez em sete vezes que te amo!
Tua beleza é teu infinito,
tua neblina com teu brilho
O que foi? O que foi aquilo?

A repetição me inebria em teu ciclo.
Encanta-me cada gesto, te reconheço.
Cada palavra, cada gracejo.

Só você dança comigo.
Só teu peito me embala
no mais belo final que valha
o mítico começo que se fala.

Eu só quero que você me queira,
Amore da minha vida...

Cada palavra, cada gracejo
cada risada, cada...

Cada beijo!
Que não se sabe passado,
ou futuro, ou final,
ou começo...

Cada beijo!
Que não conhece o tempo
pois sonho é destino,
felicidade é caminho,
cada beijo, carinho.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Uns mais iguais que os outros

Juntaram 20 músicas que podem ser consideradas plágio e colocaram neste vídeo. Vale a pena conferir e perceber aqueles que são "mais iguais" que os outros. Não me convenci de que algumas ali são plágio, mas como não sou nenhum técnico musical também... vale a pena a diversão.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Nihil lacrima citius arescit

P'ra eu te esquecer é um minuto.
O que eu chorei
Foi só por pobre de mim.
Amanhã vai ter outro a fim
E nem lembrarei
que disseram que amei.

Pois bem eu sabia
que seu coração aflito
evitava o conflito
e cansado durmia,
se achando o astuto,
enquanto eu gozei.

Sei, bem, eu sei.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Eu que é só teu

Para escolher o que é parte de mim
reparte a minha vontade.
Escolho palavras e atos
tão sólidos quanto abstratos.
Jogo no mundo, se me encontrastes...
Fecho o olho e pulo
à espera de teus comentários.

Mas só eu mesmo, Para-Si
me encontraria no oráculo, hilário.

Para-Outro seria
relevante te encontrar.
Saber como ando
meu lado coisificado.
Pois das coisas que escolho
sozinho já me sinto
parte partido, já parto abandonado.
Pois faltam teus olhos
no meu sentido.
Falta eu que é só teu,
falta eu, teu namorado.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Menino Malufinho? Porra, Kassab!!


Eu vi uma coisa muito legal nessas campanhas americanas, vários designers, para expressar apoio a Obama fizeram cartazes.

http://www.designforobama.org/

Me empolguei com a idéia, e resolvi ajudar nas eleições aqui, embora com muito mais pressa.
Quem sabe ainda não dá tempo do pessoal perceber o que está atrás do Menino Malufinho...

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Vamos Acabar Com Esta Folga

Texto excelente do Stanislaw Ponte Preta, ou Sérgio Porto (pros menos íntimos)...
Uma belíssima reflexão pós-olímpica:



O negócio aconteceu num café. Tinha uma porção de sujeitos, sentados nesse café, tomando umas e outras. Havia brasileiros, portugueses, franceses, argelinos, alemães, o diabo.
De repente, um alemão forte pra cachorro levantou e gritou que não via homem pra ele ali dentro. Houve a surpresa inicial, motivada pela provocação e logo um turco, tão forte como o alemão, levantou-se de lá e perguntou:
— Isso é comigo?
— Pode ser com você também — respondeu o alemão.
Aí então o turco avançou para o alemão e levou uma traulitada tão segura que caiu no chão. Vai daí o alemão repetiu que não havia homem ali dentro pra ele. Queimou-se então um português que era maior ainda do que o turco. Queimou-se e não conversou. Partiu para cima do alemão e não teve outra sorte. Levou um murro debaixo dos queixos e caiu sem sentidos.
O alemão limpou as mãos, deu mais um gole no chope e fez ver aos presentes que o que dizia era certo. Não havia homem para ele ali naquele café. Levantou-se então um inglês troncudo pra cachorro e também entrou bem. E depois do inglês foi a vez de um francês, depois de um norueguês etc. etc. Até que, lá do canto do café levantou-se um brasileiro magrinho, cheio de picardia para perguntar, como os outros:
— Isso é comigo?
O alemão voltou a dizer que podia ser. Então o brasileiro deu um sorriso cheio de bossa e veio vindo gingando assim pro lado do alemão. Parou perto, balançou o corpo e... pimba! O alemão deu-lhe uma porrada na cabeça com tanta força que quase desmonta o brasileiro.
Como, minha senhora? Qual é o fim da história? Pois a história termina aí, madame. Termina aí que é pros brasileiros perderem essa mania de pisar macio e pensar que são mais malandros do que os outros.

quarta-feira, 16 de julho de 2008