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quinta-feira, 24 de outubro de 2013

A culpa é de vocês!

Eu culpo todos vocês pela morte do meu amor
e pela morte dos meus heróis, eles não voltam!
Culpo vocês pela minha raiva preta e pelo dinheiro que não mereci.
Não teria como culpar a minha falta de traquejo social,
minha falta de paciência, como culpar o que não há?
Culparia meus critérios, ética e demais inconformidades desenvolvidas?
 Tão pouco poderia culpar o que sinto enquanto resto algébrico.
Talvez ainda possa renascer, mas me sinto morto para vocês.
Minha vontade de participar já era, tão ordinário me comprovaram
Eu culpo vocês por me desmotivarem à vida, à lógica, à sociedade.
Eu culpo vocês todos pelos meus desejos frustrados.
Eu culpo vocês pelas minhas falhas tão celebradas para me desvalorizar
Culpo vocês pelas possibilidades e sonhos tão lindos que vocês me mostraram.
Culpo vocês pela linguagem, culpo pelo meu nome e pela gana sexual.
Por me diferenciarem dos animais, sendo eu tão espécime.
Culpo vocês por minha humanidade tão frágil, mesquinha e triste.
Culpo vocês pelas ideologias transitórias e insuficientes para dar conta da complexidade.
Culpo vocês pela experiência temporal e por envelhecer,
pelo espelho, pelos meus cortes de cabelo!
Pela falta que me faz ser assim tão culpado
Culpo vocês pela culpa de não estar completo sozinho e ser assim tão coletivo.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

O leviano

O leviano é de lata e leve
e levou longe o love.
Ele vem de blablablá e cinismo
à moda helênica, lima a práxis
e ele é liso e lesa a lógica
E ele é light e late, late tarde...
E longe ermita da latitude argumentativa
razoável e finalmente morta em ideal,
neste sentido
o leviano ainda beberá leite real.
Lava-me a alma em ironia,
o leviano é um deleite!

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Pequenas Saudades

Seu corpo pequeno e suave faz formas que desejo...
Que saudade de outro beijo,
Que saudade de outro beijo.

E me envelheço toda vez que repito
Estes absurdos...
E repito as mesmas saudades da vida que escorre.

Sem saber de outras vidas
Nesta mesmo que agora vivo
Envelhecendo minhas pequenas saudades.

Repito o ser humano mais comum
que se pode nascer e viver.

Este que sempre passou pelos mesmos dramas na vida.
Este intervalo que só começa a fazer sentido
Quando na maioria das vezes já é tarde demais.

Que saudades de outro beijo,
que saudades do primeiro sexo.
Que saudades de procurar,
Sem saber o que já há...


segunda-feira, 24 de junho de 2013

Manifestação

Manifesto toda a perspectiva histórica
No desejo de fusão social à força
De encontrar um semelhante na multidão
Depois de tão individualizado ódio
Pouca coisa nos parecia comum
Só um tanto contra o total customizado
Que gigante, patético e grogue.
E assim viciado em pimenta, vinagre,
nesta salada lacrimogênea manifesto
Cheirado como uma dispersão com choque.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Qualidades Materiais da Humanidade

Você bem sabe a tempos
Que poesia demais
Não pode ser funcional
Poesia é crise, caraminholas
São palavras pulando e faltando;
Onde a linguagem
É plena figura.

Poesia demais é agrura
É gente dizendo o que não pode
De um jeito que é cifrado
Ou esquisito e impopular;
Cuja função é afastar silente
Quem não tá ali pra religar
Às sinapses da compaixão.

Não pode ter mais poesia,
Não pode ser menos prodígio
O mal escravo tal o profissional liberal
A dedicação com excelência opaca,
A brilhante divindade e abnegação,
Só a paixão nos faz transparentes,
Só a poesia contempla-me, translúcido sujeito em crise.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Reconheça-me

É só uma maré de sorte
e dinheiro não tem nada a ver
com merecimento, mesmo...
É caos, é regra, tempo e cimento,
água, traição, luxo e lamento.
Uma promessa no crédito
e muitas crenças no débito
e um fluxo piroclástico no aposento
que a maturidade cabisbaixa traga
poupança de Sancho Pança
inebriado, hálito etílico, desabilitado.

Mas não trará por certo
nada puro, limpo, sustentável ou capitalizado
Não há filtro certo, não evoluímos mais.
é o tempo: não crescemos depois de velhos,
nossos filhos vivem mais
que viveriam nossos pais,
conservados e vitoriosos de que
os desejos são constantes e nos adaptamos
a trocar nossa energia em relações
ostensivas e ofensivas com a fé
procurando qualquer sonho que se cumpre
porque já perdi a criança que dormia
e a realidade não ajuda explicar a existência
o sentido se dilui próximo aos limites objetivos
e a linha imaginaria, a border line
se apresenta para desalinhar meus pares,
sentir louco e sem identidade, calar.
o que me resta já não faz o que sonhara
tempo escorre, escorre e quebra minha cara.

Ginolatria Cardioclasta

O problema não é com as mulheres,
Problema é com a paixão.
As mulheres só acontecem de me apaixonarem,
mas é a paixão quem me viola.
Quem me expõe, pássaro canoro
cativo, fugido e liberto da gaiola...

Às mulheres só meu canto, meu sujeito,
É fera então que me devora.
As mulheres são imagens que projeto
das coisas que faltam em mim, ou não quis,
e preciso por desejo assim lacaniano.
A paixão é quem é real e objeta,
Quem faz o tempo, o verbo, a ginolatria cardioclasta.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Simples Moderno

O simples é meu raso,
moderno mas raso a mim,
fácil e raso, commodity mágico.
A profundidade marina das vidas
secretas, caladas, escuras
são mais prolixas, sedimentares, cristalizadas...
Papilas e pupilas diversas, difusas,
divagam e divergem sem consenso
mas vida abissal profunda penumbra
pesada e complexa, amplexa.

Essa estrada é uma fronteira
entre o espaço posto
e todo o resto dos sentimentos
não tão modernos
quanto a casa e carro que me fazem sonhar.

sábado, 9 de março de 2013

O que amo

Não é seu corpo,
é seu gosto, que seja
então não pela pele
que enruga, envelhece
não pela carne
que seca
não pelo sol
que inverna vida
mas pelo gosto
que ressalta,
pelo gozo
que aprofunda e
                       [malta,
pelo que me falta.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Apego


Não é que tenha perdido minha espiritualidade,
Ou que o mundo dos sonhos e ideais tenha sido recalcado,
Jogado em um lugar obscuro da existência...
Pelo contrário, eles são condicionantes,
Como ainda são o tempo e o espaço ao corpo
Só que eles estão aqui na realidade agora.
Muito misturados, por certo, à matéria...
Não dá mais pra dizer quem é café e quem é leite
no que antes era escuro ou via láctea.
Na realidade eu acordo com o mundo dos outros
E ela só me pede de volta o caos que trago.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Transporte do desejo


Saudosas belezas sexuais, verbo sanguíneo, vivo e banal...
Viro o pescoço apressado pelo corpo,
Pois que nú não o verei nunca, só sua nuca
Tão recíproco e atrasado é nosso percurso
Que mesmo nessa proximidade efêmera, o eterno desejo procura sintonia.
Tanto tempo aqui indo, que nem imagino a volta do sentido contrário.
Tocar, cheirar, apertar, tudo isso não farei pois aqui em minha ciência
Os sumos não terei entre os lábios, nem teria literatura verossímil neste caminho, chupasse com tal afeto que imagino.
São tecidos coloridos pelos quais adverbo o meu deleite com a forma túrgida que revela-esconde o pano.
Minhas orgias e prazeres são abusados nestas figuras que constroem meu êxtase, meu transporte anônimo e estrangeiro em si.
Pego outro e vejo mais corpos que nunca mais, transporte, verei.

terça-feira, 6 de março de 2012

Espiral do Silêncio

Carregando a causalidade
Desarbitrariado da sequência
Sinto-me solado, isolado...
Não me levam a sério,
Não me fazem a graça.
Uma mola me cala,
Espiral pelo ralo,
Eu insisto e existo
Na minha raça de calo: "Cavalo!"
Na forma teimosa que reflexo
Coerência condensa vapores em nexo.
Nem todas as almas são
plasma do silêncio.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Adaptação

Você gosta de brincar de polícia,
Eu só brinco de revolução.
Você gosta de julgar e reprimir,
Eu brinco de política aberta.
Você invoca leis e regras sagradas,
que vivem dando mancada...
Eu me divirto com os símbolos
que não lhe pertencem
e a poesia que lhe deixa tonto
Porque você nunca vai entender
BULHUFAS do que é belo em conviver
e de como o ser humano vai melhor
apontando menos dedos,
Com menos medos de mudar
pois essa é a vida, adaptação.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Compreende

Não há coisa mais humana que o paradoxo:
Certeza do que não se pode estar certo.
A razão dobra joelhos ante o sofrimento.

e chora... chora... pedindo só um tiquinho do porquê
numa fissura abstinente... e chora... chora...

O outro ontológico, a fraternidade coordenada
De quem nasceu no mesmo contexto a, b, c
No mesmo país, bairro, planeta, escola. Encontram-se,
Alteram-se por dias, por anos, na casa, na rua,
nas férias, quando há um tempinho to hang out
Aceno que sim com a cabeça mais grisalha, com os olhos
certos daquilo guardado no que há de memórias, amigo.

não chora, não chora... compreende, não vê?

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Litoral

Se onda não é relevante,
ninguém segue.
Se o coco não é refrescante,
ninguém bebe.

É que todo ano elas tem dezoito
e querem coito...
e que ainda penso no amor, no mar
como aquele com quem hoje me estranho:
ancioso, levando fora de oito...

O que me era ruim bebi com rum
E não, não jogo buraco
na casa de praia.
Nem quando chove, que saco!

sábado, 22 de outubro de 2011

Depêndulo

Depender do olhar alheio
pendurado ao seu juízo
viciado e sem freio
em desgaste e prejuízo
afinar sem referência
uma dinâmica frequência
à indelével, tácita distância
com um labirinto ébrio
de sonhos tóxicos, roubados.
o que você vê, com este silêncio dos seus olhos?
As coisas que queremos no fim,
nunca teremos no meio
e assim tanta gente que não é rica, nem feliz
e decide correr pra lugar nenhum.
eu só fico parado, observando, sentindo...
sentindo tudo e sentindo muito
tão difícil mesmo a sociedade
que se duvidamos uma vez e com razão,
já não existe verdade,
a referência se perde sem consenso
vira tudo mandarim em mim
e pra se achar, se colocar no mundo
nunca bastou um chapéu, uma barba
p'ra deixar claro os detalhes do que pende da intimidade
que é olhar para o outro no olho e se enxergar.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Planos e ângulos

MInguam
e o sentido escapa
de uma existência
que não se justifica
além de si
e as coisas prontas, disponíveis,
não cabem no meu número, ou encaixam
espiritualmente
a matéria não bastA MAIS
O QUE EU FAÇO
com tanta vida
que escorre na existência
insignificada em derrrrrame agudo
que escorrrrre na existência que expõem
a natureza duma responsabilidade
grossa que se parte grave
procurando algo que nunca será
nada além de, reticências partidas...

terça-feira, 19 de julho de 2011

Crânios

Nossos contingentes crânios vivos
Ali no travesseiro compartilhado
Pressionam nossa existência
à revelação de uma condição
pelos lábios, sonda adentro,
crânio com crânio, vivos!
Pernas trançadas até as cadeiras,
empuxos firmes pelos cabelos
A resfregar dente com carne,
com dente, com carne
num fio frio dilacerado à espinha
que convulsiona o resto todo misturado
num simples vetor, biológico e feliz.

Ontologia do Cachorro

Não é bem poesia canina
é mesmo uma estatística em clausura
Desconfiada demais
de como um cachorro sarnento
apanha suas coisas humanas...
suas pulgas e peçanhas
no mato da vida sem luz.
Suas partes e portas fechadas
e perspectivas rasteiras, chapadas
contra concebendo em cruzadas
o pavor das noites claras que caem
o giro das viaturas
a recolher nós vagabundos
e impedir-nos as matilhas
de traumatizados, terão mais sabão:
"cachorro lobo é melhor morto"
Tão humano com vontade, medo e latidos
para com aquele frango girando na padoca
de cadela banca a louca
e baba espuma branca pela boca
seca deste agosto.

domingo, 12 de junho de 2011

Soy Hedonista

Direitos divinos devem ao orgasmo,
Deveres humanos devem pleonasmo.
Ser não esta tal comparação,
Direitos humanos aos humanos
e só amor ao teu pet a filiação.

Humanos tão direitinhos, caminhos
com trilhinhos de bitolinhas
e ladrilhinhos tão estreitinhos...
Com medinho de amar ou de ter feridinhazinha de amor no coração...
Tudo perfeito e infantilizado
como uma realidade generalizada:
sem sal, à vacuo, ponta de gôndola.

Mesmo se quiseres sonhar acordado,
só te darão uma opção real de redenção:
insônia e aquela súmula ao pé sono.
Se orar e agir em Deus intencionado,
sem um sorriso cínico e áfono
no canto do beiço, será bem bobo e irresponsável.

Yo no creo en Dios. Soy hedonista.